Um festival de cinema, turismo ou meio ambiente? O Festival de Cinema do Amazonas chega amanhã à sua sexta edição conciliando os três papéis. Organizado por uma produtora francesa (Le Public System) com a Secretaria de Cultura do Estado, o evento ajuda a impulsionar o turismo do Estado com uma mistura de convidados nacionais e internacionais que vão a Manaus apresentar e discutir filmes, mas também conhecer o Encontro das Águas no rio Amazonas, ver de perto botos cor-de-rosa e outras atrações naturais.Para juntar cinema e natureza, a solução foi dividir a mostra competitiva em duas. A primeira é formada só de filmes de ficção classificados sob o abrangente título de "filmes de aventura". A segunda engloba documentários que abordam as catástrofes ambientais pelo mundo.
Na primeira, com uma curadoria bastante aberta, coube um pouco de tudo, mas os títulos são promissores. Há três destaques de grandes festivais: o australiano "Samson & Delilah", que venceu o prêmio Caméra d'Or para diretor estreante no Festival de Cannes; "Whisper with the Wind", o primeiro filme iraquiano exibido em Cannes, na Semana da Crítica; e "A Estrada", aventura apocalíptica estrelada por Viggo Mortensen e exibida em Veneza. Há ainda um brasileiro inédito - "Em Teu Nome", do gaúcho Paulo Nascimento, sobre um arquiteto envolvido com a resistência à ditadura nos anos 70, com Marcos Paulo e Sílvia Buarque no elenco. E ainda filmes da China, do Irã e do Cazaquistão.
Na competição de documentários, dois devem ter maior apelo, por tratar de conflitos vividos pelos índios da própria Amazônia: um contra a petrolífera americana Chevron (no americano "Crude", de Joe Berlinger) e outro contra os garimpeiros ilegais (o suíço "Dirty Paradise", de Daniel Schweizer). Para os curtas, há três competições: no formato 35mm, em digital de todo o país e em digital regionais.Entre os convidados internacionais, neste ano não há nomes tão fortes quanto a atriz italiana Claudia Cardinale ("O Leopardo", "Era uma Vez no Oeste") ou o diretor Roman Polanski. Mas um cineasta deve receber atenção especial: o americano John McTiernan, diretor de filmes de ação clássicos dos anos 80 como "O Predador" e "Duro de Matar", presidente do júri dos filmes de ficção. Os cinéfilos vão notar a presença da portuguesa Leonor Silveira, presença constante nos filmes de Manoel de Oliveira, como "Vale Abraão" e "Um Filme Falado".
Se a seleção é abrangente e a preocupação ecológica é legítima, o Festival do Amazonas não deixa de ter seu lado Gramado, e promete encher a cidade e o Teatro Amazonas, sede das sessões, com atores globais, de Victor Fasano a Malvino Salvador, de Malu Mader a Maria Fernanda Cândido. Uma ausência grande, porém, já foi anunciada: o veterano cineasta Carlos Manga, de 81 anos, que seria o presidente de honra do festival, sofreu um acidente doméstico e fraturou a bacia, cancelando sua ida.
Confira os filmes da competição:
Ficção
EM TEU NOME, de Paulo Nascimento (Brasil)
WHISPER WITH THE WIND, de Shahram Alidi (Iraque)
CITY OF LIFE AND DEATH, de Lu Chan (China, Hong Kong)
SAMSON & DELILAH, de Warwick Thornton (Austrália)
FRONTIER BLUES, de Babak Jalali (Irã, Reino Unido, Itália)
THE GIFT TO STALIN, de Rustem Abdrashov (Cazaquistão)
GARIMPEIRO (Orpailleur), de Marc Barrat (França)
A ESTRADA (The Road), de John Hillcoat (EUA)
Documentários
LOST GORILLAS OF VIRUNGA, de Michael Davie (EUA)
CRUDE, de Joe Berlinger (EUA)
O RETORNO, de Rodolfo Nanni (Brasil)
THE DEADLINE, de Phil Stebbing (Reino Unido)
WILD OPERA, de Laurent Frapat (França)
DIRTY PARADISE, de Daniel Schweizer (Suíça)
THE DOLPHIN DEALER, de Brad Quenville (Canadá)
GREEN, de Patrick Rouxel (França)
A ÁRVORE DA MÚSICA, de Otavio Juliano (Brasil)